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NO FIM DO
CAMINHO
Em minha
alma rasgada antes do parto
um homem e
uma mulher se beijam.
Reconciliado
eu conspiro!
TELÚRICO
Eu peco de luxúrias.
Confesso
o sangue-boi bicando na
peruana me delira
e se vejo uma garça
irresistível
a beber com seus olhos o
Araguaia e seu infinito
eu estremeço.
Faminto de beleza eu ando
como andam famintas de Deus
as virgens no outono.
Erótica
minha alma suga o mel nos
ipês do Bananal
quando em agosto eles se
vestem para o amor lá no horizonte.
Compulsivo
eu quero tocar o corpo da
terra e seu mistério.
Meu desejo escorre nu
sem leito e sem cadarços
lâmina viva na palavra
ardente
feito cabelo de cigana ao
vento.
Não
não quero o fim da luz nas
tardes tropicais
nem a morte e seu mormaço
eu quero.
Amo a vida em estado bruto:
o verde sem farda do buriti
no brejo
o beijo obsceno dos
cachorros guiados apenas pelo instinto
o vestido esvoaçante do
beija-flor sem corpo
o café e seu aroma quando
amanhece o dia
a brasa e seu calor.
Eu peco de luxúrias
confesso
e se navego para o mais
fundo do meu ser
lá onde o inconsciente
explode sem disfarces
ouço Deus e seu grito:
peca mais e peca sempre!
QUANDO MEUS
OLHOS SE FECHAREM
Quando meus
olhos definitivamente se fecharem
estarei
pensando em ti.
Ao partir
levarei na retina teus lábios e teus sonhos
iluminado
por teu corpo morrerei em paz como os santos.
Bebi de ti a
essência da vida
tu
manancial da
pureza e da vertigem
farol e
andaime na noite da tristeza
o túnel que
me levou ao mar.
Ao partir
concentrarei nos meus olhos
as tardes
serenas no Araguaia
teus pés
junto aos meus nas noites misteriosas do sertão
tua voz nos
meus ouvidos abrindo o dia à luz.
Apalpei
contigo
a
irresistível alegria do povo em caminhada
rezei como
copulam os amantes
fiz da vida
canto
consolo e poesia
e se sofri
na carne a dor
foi porque
amei até o êxtase.
Quando meus
olhos definitivamente se fecharem
será teu
nome minha última palavra
porque sei
que ao abri-los novamente
vou
encontrar-te na eternidade do amor.
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