Uma Igreja da Amazônia em conflito com o latifúndio e a marginalização social
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Pedro Casaldáliga Carta Pastoral - São Félix do Araguaia, 10 de outubro de 1971 |
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Depois de três anos de "missão" neste norte do Mato
Grosso, tentando descobrir os sinais do tempo e do lugar, juntamente com
outros sacerdotes, religiosos e leigos, na palavra, no silêncio, na dor e
na vida do povo, agora, com motivo da minha sagração episcopal, sinto-me
na necessidade e no dever de compartilhar publicamente, como que a nível
de Igreja nacional e em termos de consciência pública, a descoberta
angustiosa, premente.
Para dar a conhecer esta Igreja às outras Igrejas irmãs, à Igreja.
Para pedir e possibilitar, também desde esta Igreja, uma maior comunhão, uma colegialidade mais real, uma mais decidida corresponsabilidade. Talvez também para despertar e chamar respostas e vocações concretas...
Nenhuma igreja pode viver isolada. Toda igreja é universal, na comunhão de uma mesma Esperança e no comum serviço do amor de Cristo que liberta e salva. " ... Cada parte crescem por comunicação mútua e pelo esforço comum em ordem a alcançar a plenitude na unidade". (Lumem Gentium, 13).
O "momento publicitário" de projetos e realizações que a Amazônia está vivendo, e a opção de prioridade que a própria Igreja do Brasil fez por ela, através da CNBB, justificam também com nova razão esta minha declaração pública.
Se "a primeira missão do bispo é a de ser profeta" e "o profeta é aqueles que não têm voz daqueles que não têm voz (card. Marty), eu não poderia, honestamente, ficar de boca calada ao receber a plenitude do serviço sacerdotal.