VERSOS ADVERSOS

Antologia

Pedro Casaldáliga

 Ilustrações de Enio Squeff

Prefácio de Alfredo Bosi

EDITORA FUNDAÇÃO PERSEU ABRAMO

A esperança rebelde na poesia de Pedro Casaldáliga

Alfredo Bosi

 

         A linguagem do poeta Pedro Casaldáliga rima com a vida do militante cristão D. Pedro Casaldáliga.

         É uma poesia de protesto que insurge contra os males que o capitalismo selvagem –brasileiro e internacional- continua a infligir às terras, aos homens e às mulheres do Araguaia.

         É uma poesia que entra em sintonia com o povo dessa vasta região do Mato Grosso: os índios banidos ou massacrados, os posseiros espoliado, os lavradores e pescadores expulsos: em suma, os peões forçados a trabalhar sob um regime de semi-escravidão.

(...)

         Versos adversos foram se construindo ao longo desses anos de combate aquecidos pela fé no Deus-Homem e pela esperança na regeneração de uma Terra onde se aliariam finalmente imanência e transcendência. Uma Terra que pudesse realizar o sonho multimilenar e renitente de um reino de justiça e paz, “aquela Paz do Reino, que vem vindo, inviável e certo”. O paradoxo já diz muito dessa fusão de realismo duro e esperança radical que preside à visão da História de D. Pedro e de tantos de seus irmãos de fé.

 

 

O verso e a vida

Pedro Tierra

 

(...) Pedro Casaldáliga, sua “arquitetura de passarinho”, para lembrar a expressão com que Fernando Brant o batizou quando escrevíamos a Missa dos Quilombos, sempre envolvida nos conflitos de uma sociedade radicalmente desigual, não dispensa a solitária e íntima mística contemplação do mundo. Não a contemplação estéril, que percebe os conflitos humanos de forma asséptica, más a contemplação mística, corporal, de quem se identifica com a dos oprimidas e faz dela sem metáforas, sua própria dor.

(...)

         A qualidade dos versos deste pequeno volume –comentada pelo professor Alfredo Bosi-, traz consigo um outro valor: o valor do testemunho. Alguém já disse que “a poesia é a face impossível da verdade”.

         Esse homem luminoso, (...), nos ensina a permanente lição de sua própria vida: se é verdade que não se transforma sem lutas, é verdade também que não se transforma qualquer sociedade sem poesia...